Permuta
— Ah, Pedro, pára de viadice!!
— O que foi?? É sério!
— Ahã!! Vou falar aquilo que você sempre buzina no meu ouvido quando me vê com outro chifre: “Mas é 'meio' ridículo também né... na boa.” [imitando a voz do amigo]
— Mas pô! Por que você tá insistindo tanto?? Logo você!! Achava que seria justamente a última a pedir tal coisa!
— Não aprendeu ainda que eu sou surpreendente?? Hehe... *pisc*
— Tô vendo... [ri]
— Mas então... é sério, eu acho que você tinha que voltar a falar com essa garota, Pedro. Se continuar desse jeito, só tende a piorar, vai por mim.
— Tem certeza?? Pois eu acho o contrário: que se eu voltar a manter contato, só vou piorar o negócio...
— Que nada! Isso aí é necessidade de atenção... Ela sossega em 3 segundos, vai por mim.
— Ha! You don't know her...
— Você que pensa...
— Como assim?
— Escuta. Desde que eu te conheço, percebo um padrão aí.
— Padrão de quê?
— Padrão de comportamento. Feminino.
— O quê, comigo?!
— Yep.
— Como assim?
— Todas as garotas com quem você ficou (ainda não acredito que eu conheço todas, cara! Fala sério! [balançando a cabeça como se falando sozinha, incrédula. Pedro ri]) se comportam de forma semelhante.
— A Paula não!
— Mas a Paula mudou de opção sexual!!! Já te contei o babado...
— [Pedro se mexe todo na cadeira]
— ... portanto não conta. Todas as outras, sem exceção, agiram igual.
— Você exagera...
— Não! Todas as outras, vê bem! Com umas pequenas diferenças aqui e ali, todas elas surtam – e por sua culpa! [sorri]
— Nhééé!
— Cara, é sério. Você tem que voltar a falar com ela!
— [fazendo uma careta de 'Do I have to?']
— Eu ainda acho que tinha que te convencer a falar com TODAS elas, e não só uma...!
— TÁ MALUCA!
— Tô nada. Só assim elas acalmam. Sabe, quando se começa a notar um padrão na vida sentimental (e um padrão não muito agradável, porque se fosse bom ele teria estacionado), invariavelmente a culpa é da gente mesmo.
— Mas e se você não faz nada, apenas atrai a bizarrice??
— Você realmente acha que quando a bizarrice se repete é por obra do acaso??
— Ué...
— Inconscientemente você acaba fazendo coisas que atraem um certo tipo de pessoa. Quer um exemplo?
— E uma avaliação psicológica gratuita?? Manda!
[os dois riem]
— Por que os homens que surgem na minha vida são toooodos problemáticos?
— Porque você os atrai! E porque não quer se livrar deles, mesmo namorando.
— Vê?? Você mesmo disse, eu *não quero me livrar deles*! Então pense comigo... Eu atraio sem querer ou me sinto estranhamente atraída por eles?
— Hum...
— Pois é. E é tudo por causa do Caio. [sorriso triste] Ele tinha sérios problemas e eu não consegui resolvê-los.
— Mas isso não cabia a você.
— É, mas quando você ama... [voz de novela mexicana] você *quer* ajudar, você *quer* curar, você *quer* salvar...
— [risos] Quer dizer então que depois dele você só quis saber dos problemáticos?
— Não conscientemente, mas é como se eu permanecesse numa busca insensata por confusões – estas facilmente resolvidas e pífias se comparadas a do Caio. Sem contar que são convenientemente escolhidas porque não levam a nada. Como uma forma de compensação estranha, entende?
— Acho que sim. Mas isso não deveria ter começado com o primeiro?
— Com o primeiro significativo, sim. Aí entraria também o Rodrigo, mas a gente tá junto de novo agora. De fato, ele criou um parâmetro back then: o namoro à distância com paulista. Desde então não me envolvo *sério* com carioca. Simplesmente acontece. Não rola nada sério com alguém que more perto de mim, e não porque eu me estipulei esta regra!! É inconsciente.
— Igual aos problemáticos?
— É! Esse padrão do qual eu seeempre reclamo acontece provavelmente por minha causa. Não tô livre ainda do fantasma. Em tese eu deveria fazer uma puta análise, para que eu me abrisse a uma relação saudável, deixasse os “normais” se aproximarem de mim, parasse de chifrar quem eu gosto com gente que eu não gosto e toda essa lenga-lenga... mas eu não acredito em cura induzida. [sorri, fazendo uma breve pausa] Mas você, Pedro... você faz igualzinho. Você, inconscientemente, produz esse auê na mulherada como compensação pela não-reação da Paula ao fim do namoro. Quer dizer, ela ficou irada com meio mundo e tal, mas foi de uma frieza assustadora *com você*, dando um ponto final por causa de uma galera que enchia o saco dela. E só. E some do mapa. Não dá notícias, não volta atrás. Aí você compara isso a uma garota como a piroquete – é o extremo oposto!!
— [Pedro está mudo]
— [Aline ri. Tem esse dom] Pedro, eu sei que você deve estar ficando assustado com o meu raciocínio, mas é só um brainstorming rápido que eu faço a partir de pequenas observações. Encadear pensamento desse jeito é até fácil para mim, mas não leva a nada se eu não agir.
— Você tem medo?
— Provavelmente. E você?
— Não... talvez eu não queira...
— Perder os paparicos psychos? [sorri]
— É... quer dizer... claro que eu não quero nada muito psicótico, né... [ri]
— Mas convém...
— É... Hey, mas vem cá! Como controlar o comportamento 'x' que te faz atrair problemáticos, ou o meu, que atrai malucas, se ele é inconsciente?
— Aí é que tá, eu não sei. Não sei como pára de vez – se é que pára.
— Pô, então voltamos à estaca zero!
— Nem tanto. Dá para diminuir o negócio: FALANDO COM ELAS NORMALMENTE!
[risos]
— Só se você fizer a sua parte também!
— Qual??
— Diminuir os chifres no Rodrigo! Eles, além de problemáticos, são inúteis! E “na boa... é 'meio' ridículo também né...”
— Baaahhh!!
— Seguindo seu raciocínio, isso é medo de assumir o Rodrigo, é medo de deixar pra trás esse lodo todo que te atrasa, medo de engatar a terceira com alguém não-problemático.
— É, eu sei disso tudo. O problema é dar o braço a torcer.

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