No trespassing
— É ela?
— Onde, onde?
— Ali, na sacada. É ela?
— Péraí... acho que não... não sei, vou lá ver!
— Ok, tô na fila do banheiro!
[7 minutos depois]
— É ela sim, reconheci pelas tatuagens na nuca...
— Brrr! [arrepios na espinha]
— E... não sei não, Aline... mas cada vez que a vejo parece que há mais estrelas em volta daquela tattoo... medo!
— Éééé...
— Será que ela conta os meses, como os prisioneiros na cadeia??
— Pra você ver que sinistro...
— Eu não duvido de mais nada, though.
— Pior que nem eu...
— Bizarro! Por que alguém faz isso??
— [dá de ombros]
— Tá, num surto louco ela resolveu tatuar o nome do amado no pescoço – ok! Mas enfeitar cada vez mais com estrelinhas ao longo do tempo?? Ela é completamente maluca!!!
— [profundo suspiro] Vindo dela? Eu não me espanto tanto assim não, na boa...
— Mas... mas... o que motiva uma criatura dessas a agir assim??? Há alguma esperança vindo dele??
— Nop.
— Então, então...!!! [tentando achar as palavras]
— Então nada, ué. Ela é piroquete assim mesmo, deixa.
— [enquanto dá de ombros, levanta os olhos] Ahhh, olha só pr'aquilo...!!!!
— Pois é... não é pra qualquer um não...
— NÃO MESMO, HA!
— Eu tenho pena.
— PENA?! Eu tenho é medo!!
— Não, eu tenho é pena. Olho para ela e vejo uma "mini-cadeia" ao redor.
— Huh?
— Ela está encarcerada, coitada. Presa.
— No que ela sente por ele?
— Sort of. Vê, já se passou muito tempo. Ela até está com outro!
— Jura?? Achei que isso não fosse possível.
— Ô, essa é a parte mais fácil! Você acha que alguém como ela não vai namorar? Namorar é muito fácil... [olhar vazio]
— Há muito tempo?
— Não sei direito.
— Que coisa...
— Pois é. Mas ela está ali, presa. Empacada. Não sai do lugar.
— Ahh, eu não sinto pena não!! Ela tá assim porque quer!
— Você é que pensa... [olhando o nada, séria] Na teoria tudo é muito bonito! O fato é que ela entrou num caminho sem volta.
— Como assim??
— Envolva-se com o Pedro e depois converse comigo... if you dare.

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