Difícil
É difícil explicar. Difícil entender.
Aline e Léo protagonizam a história mais absurda do mundo. Seus encontros e desencontros são tantos, e infinitos, que seria impossível sequer começar a explicar.
Não eram um casal como os outros. Até pela forma como se relacionavam, os dois se destoavam do resto. Também - não se conheceram ali, a história vinha de oooutros carnavais e, bem..., e o resto é de difícil compreensão.
O fato é: Aline desta vez estava com Léo na boate. Quando ele aparecia, ela ficava presa a ele, não tinha como. Era diferente. Pedro achava estranhíssimo, afinal Line nunca conseguia parar quieta com ninguém lá dentro. E olha que ele nem é cabeludo!! (mas já foi...)
Quando chegou, Pedro logo viu a amiga com um copo de caipivodka na mão. Ele ri, mas fica meio preocupado. Desconfia desse Léo.
- Pedroooo! Hey!
- Fala Line!
- Tudo bom?? Tô enrolaaada hoje!
- Hein?!
- Tô enrolada!
- Ahhh...! Ixe...
Ele ri. Sabe de primeira que Line está um "cadinho" alcoolizada: ela falou que está "enrolada". Ora, toda semana Line está enrolada! Cadê a novidade nisso?!? Só quando ela bebe mesmo...haha!
Aline se distrai com Léo, virando seu drink cada vez mais rápido. Constata que não vê mais a menor graça em ficar com ele, mas mesmo assim topa - só pelo gostinho de conseguir aproveitar a ficada sem pirar, posição que antes era a dele.
Ela não confessa pra ninguém, mas o outro motivo pelo qual fica com ele sem o menor problema - e na frente de todos - é a comoção que Line sabe que vai causar com tal ato. Léo é bastante charmoso, intimida os homens porque tem presença, se impõe como "dono do pedaço" em questão de segundos, e Line manipula-o a seu favor. Exibicionista que só ela, esta é a única forma de Aline arrancar excitação de um babado como o do Léo, que vem do século passado (literamente falando!) e que perdeu todo o "tchuns" com o cabelo mais curto.
E, esta semana, o que a quase fez subir pelas paredes de tesão foi ver João entrando no recinto com o claro intuito de ficar com ela - mas dar com a cara na porta.
E pensar que meses atrás Line e Ana viveram uma corrida desesperada com troca-troca de casaco a cada meia hora só para que o mesmo João não a visse com este mesmo Léo. HA!
Aline não se agüentava de satisfação. Claro que lamentou a Lei de Murphy que a atingiu neste dia (além de João, outros 7 - sete!! - interessantes alvos surgiram e a viram acompanhada), mas nem seu lado mais Pollyanna conseguiu aflorar.
Ela até tivera a possibilidade de fazer uma loucura com João, dar a ele o que ele queria, mas... NAH! Hoje ele vai pagar pelo ataquinho.
Oooohh, that feels so damn good!
"Ser difícil nunca foi tão fácil", sorria cretina-Line, enquanto Léo beijava seu pescoço e ela fingia gemer por causa disso.
João, encostado numa parede, SOZINHO, olhando o nada com cara de pastel, era o maior afrodisíaco que ela poderia ganhar.

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