Line + Pedro (Dois amigos)

Seriam relatos auto-biográficos? Apenas contos? Memórias? Ou roteiro de um filme? São as aventuras de Pedro e Aline, dois grandes amigos cercados de histórias por todos os lados.

quarta-feira, janeiro 23, 2002

Clássicos do futebol

- Odeio elevadores.
- Tá doida?! E como é que a gente ia chegar no seu apartamento? [ri]

Aline e Rodrigo de vez em quando saem juntos a pé para o "trabalho". Quer dizer, as aspas quem usa é Aline, para se referir ao que Rodrigo faz. De qualquer forma, os dois às vezes fazem o mesmo percurso; Aline, para o ponto de ônibus maldito e Rodrigo, para justamente "atrás" do tal ponto de ônibus. Deve ser o único que de vez em quando chega sem o carro. Quando dorme na casa da namorada, tem esta rara vantagem.

Aline gosta da companhia, mas... fica 'meio assim' quando Rodrigo passa a noite lá. Pra começar, os porteiros fazem um auê danado quando ele chega. Entre ser anunciado no interfone e realmente *tocar a campainha*, leva uns 20 minutos.

Depois a tortura é sair de casa. Ahh, é um saco! A não ser quando vão para alguma festa ou boate (saindo de madrugada), é seeempre a mesma cara de espanto dos vizinhos ao adentrarem um cubículo com os dois. Aline odeia o elevador do seu prédio, pois NUNCA está vazio às 9 da manhã (ou às 4 da tarde, ou 8 da noite, ou...). Ahh, claro, ela só pega o elevador sem ninguém quando está sozinha, ou com Pedro... (lei de Murphy básica)

Chegar *junto* com ele também é um inferno. Os porteiros não ficam tão histéricos na frente dela, mas é impossível não notar o burburinho. Afinal de contas, é muito estranho um jogador de futebol naquelas redondezas! Eles se entopem todos na Barra...
Well, Rodrigo de fato tem um imóvel na Barra - mas aluga. O apartamento onde mora fica na Lagoa, depois de constatar por si próprio como a Barra é a contra-mão do mundo ("ou será o c* do mundo??", filosofa Aline).

Aline não pisa na Barra nem que lhe paguem. ODEIA aquele lugar. No máximo vai a um cinema e volta, e só porque lá existem centenas de salas às moscas - se enfiar em shopping lotado no fim de semana é uma coisa que ela não faz nem a pau com ele.

A outra única possibilidade dela ir praquelas bandas é se Rodrigo a perturba muito (mas muito mesmo) para comparecer com ele numa dessas confraternizações dos amigos feitas - claro - no Porcão. Aline deteeeesta socializar com esse povo, muitas vezes entra muda e sai calada. Não há ninguém com quem conversar, ela odeia todos; quando começa com aquela conversa de "quando é que sai o casameeeento?", então... Grrrr!! Aquelas loiras oxigenadas com no máximo 21 anos ostentando anel de noivado é algo que lhe dá náuseas. Um ano depois, Aline as encontrará invariavelmente grávidas, tsc!

Por isso faz questão de nunca ir, ou inventar sempre 'compromissos inadiáveis' nesses dias. Mas pelo menos uma vez por ano ela tem que aparecer... fazer o quê??

Aline só se diverte quando é o pessoal do antigo time de Rodrigo que se reúne. Nesses encontros ela vai feliz, por dois singelos motivos:
1 - As festas são sempre em São Paulo;
2 - O Diogo vai.

Diogo é infinitamente mais famoso que Rodrigo, mas é um amor de pessoa. Na época em que Aline descobriu a "tragédia", ele foi o único a acalmá-la numa dada ocasião, e isso ela nunca vai esquecer. Na época ele era completamente desconhecido (e Rodrigo não).

O primeiro encontro deles com a presença de Aline foi uma coisa histérica: tinha sido organizado pelo próprio Rodrigo, uma semana depois que os dois voltaram - e justamente para comemorar tal fato. Claro que Aline não tinha a mínima noção deste "detalhe" até pisar lá - senão ela não ia nem a pau, dã! Mas no final das contas foi lindo... Aline se abraçou com Diogo por longos minutos. E Diogo faltou pegá-la no colo! Ele devia ser a única pessoa com aquela "profissão" que não a deixava tensa. Só não ficaram conversando a noite inteira porque Aline foi apresentada a várias pessoas com quem só teve contato via telefone - e há séculos atrás!

No fim das contas saiu tudo bem, Aline gostou de (bem ou mal) ter conhecido os velhos amigos do Rodrigo... foram muito amáveis e simpáticos com ela, todos querendo conhecê-la e felizes com a "volta" dos dois. Mas foi a Bia que resumiu da forma perfeita:
- Aline curtiu porque não tinha nenhuma mulé de jogador presente... ehehehe.

E, realmente, Aline vem percebendo aos poucos que seu problema não está (nunca esteve?) no jogador em si - mas na "fama" (merecidíssima, aliás) que as mulheres/namoradas/esposas/loiras/etc. ganham por se relacionar com eles. É disso ela se recusa a fazer parte.

- Eu não namoro jogador de futebol!
- Claro que não... seu namorado sou eu, Rodrigo.