Line + Pedro (Dois amigos)

Seriam relatos auto-biográficos? Apenas contos? Memórias? Ou roteiro de um filme? São as aventuras de Pedro e Aline, dois grandes amigos cercados de histórias por todos os lados.

quinta-feira, janeiro 24, 2002

Daydreaming (mas nem tanto)

Estavam indo simplesmente ao jornaleiro; passeio bobo daqueles que acabam dando em ótima conversa furada. Ao saírem do prédio, Aline e Pedro cruzam com um vizinho, o tal do Bruno. Aline possui uma eterna crush por esse rapaz, desde muito antes de sequer beijar a boca de alguém. Sempre o achou lindo de morrer, e mantém aquela coisa platônica (ridícula!) de admiração ao longe pelo simples fato de que... de que... ora, por que é mesmo que Aline nunca se aproximou dele?!? Bolas, isso tem tanto tempo que ninguém mais lembra, e fica tudo por isso mesmo.

Até porque eles quase nunca se encontram - Bruno mora no outro bloco. Só uma vez a cada seis meses (sério!) ela dá a sorte de encontrar esse "colírio maravilhoso, ui ui ui!"

Então ela suspira e ri:
- Aiai... sabe que desde pequena eu cismei que, se tivesse que casar, teria que ser *com ele*?? Hahahaha, minha mãe falava que ele daria um ótimo marido. E não duvido que dê, olha lá ele, olha! Ahh, responsável, bonito, bem-arrumado.... um pouquinho calvo, é verdade, mas ai... olha que liiiiindo!!!
- Nháá...!
- Parece... parece... aimeudeus, sabe o que ele parece?
- O quê?
- Um paulista! É isso, ele é tal e qual um paulista! E eu *amo* paulistas, é uma fraqueza irrecuperável minha... [se abana]

Pedro olha para a amiga e ri, cruel:
- Ele parece é o Rodrigo se... well, se o Rodrigo tivesse realmente feito Administração de Empresas.

Aline se espanta e até engole seco. É verdade!! That is so true!

E rindo, devolve:
- Meu gosto para homem é uma coisa tão previsível assim??
- Oh yeah!
- Mas eu gosto de cabeludos - ahá!
- Sim, mas quando não são paulistas. *lalalala* [cantarolando] Quando eles não são paulistas, o que te chama a atenção é o nível de estilo do cara. Ele tem que ter presença. Cabelo é um plus, mas não uma exigência.
- Hummm, mas e se for um cabeludo paulista?? *pisc*
- Nossa, aí você morre! Mas cabelo comprido não se encaixa neste protótipo de executivo mauricinho que você ama... [coçando a cabeça] Não te entendo, então! Você tem duas preferências para homem?? E que são totalmente opostas???? Hahaha, sua bizarra!!!
- Ahh, é que eu sou poligâmica, quero um de cada! Como eu te disse, se eu tivesse que casar, teria que ser com ele, o Bruno. Mas se for pra ter filhos, teria que ser com o Renato, paulista *e* cabeludo... uhhh!
- Quem é Renato, é o que você vive falando que eu tenho que conhecer??
- Isso!!! [suspira, saltitando pela rua] Não sei porque tenho isso, mas eu consigo me imaginar perfeitamente entrando naquela loja de brinquedos do Rio Sul com ele e o nosso little Richie para comprar a bateria infantil que fica sempre na vitrine.
- Little Richie!?!
- É, o nome do meu filho com ele já está mais do que escolhido: Richie, igual o Kotzen. Vai ser louco pelo pai, e nunca cortará os cabelos - a não ser para aparar as pontas das longas madeixas. Vai ser um menino liiindo, com os olhos e o cabelo do Renato.
- Hahahahahaha!!! Assim tipo aquele molequinho do clipe do Steve Vai??
- IIIIISSSOOOO!!! AAAAHHH!! Pedro, tú é foda!!!! [dá um pulo e um abraço no amigo] EXATAMENTE, EXATAMENTE!! Quero um filhote como ele, que leva a guitarrinha pra sala de aula e acaba com a professora...ehehehehe!!!
- Aimeudeus, que tipo de mãe alucinada você não daria, hein??
- Ahhh... *pisc* ia ser lindo...

E o surto não pára:
- E ainda tem mais!! Eu lembro de uma vez ter decidido que seriam dois filhotes: o Richie e mais um, só que esqueci o nome!!
- Que horroooor, que mãe mais desnaturada!
- Hahahaha, pois é, não consigo lembrar se seria little Johnny, ou Renatinho...
- Johnny?? Johnny Rotten!?
- Claro que não! Humpf!!! Johnny, por causa do Jon Bon Jovi, dãã!
- Aaaarrgh! Hahahaha! Por que não little Stevie?? Em homenagem ao Steve Vai!
- Humm, pode ser, mas não tô pensando em arranjar um terceiro não, Pedro... na boa [rindo muito]
- Não chame de Johnny, chame de Stevie!
- Vou pensar, vou pensar...
- Falar com o Renato, e tal né?? [ri]
- Claro... mas se bem que... o-oh! Vai que ele gosta da idéia e resolve ter uma prole do tamanho de uma banda de hard rock?? Haja ovário, tô ferrada! [gargalhadas]
- Então sua segunda gravidez tinha que ser de gêmeos, pra facilitar...
- É, mas aí fica um trio, e trio não dá... fica uma coisa Greenday!
- Qual o problema do Greenday, hein hein?? Hunf!!
- Naaada... [ri do amigo fã de punk rock bubblegum] Então você me empresta dois filhos seus para montar a bandinha!
- Combinado!
- Hahaha, uia! Vai ficar fooooda! *aiai que coisa linda*
- Mas só uma perguntinha....
- Fale!
- E o Bruno, coitado?!? Fica de marido??
- Pode ficar, se quiser. Tenho espaço para vários! É um pra casar (o Bruno), outro para ter filhos e ser aquele eterno amante (Renato! Renato!), um para morar (que é você)---

Pedro até interrompe, surpreso e rindo:
- Uepa! Você cheia de filhos e maridos ainda quer que eu more com você???
- Nãããh, você não entendeu! Eles não vão morar comigo.
- Ahh não?? São teus homens e não vão morar contigo??
- Não! Oras, Pedro! Por acaso o *Rodrigo* mora comigo?
- Não...
- Quem se mudou pra cá, foi você ou ele?
- Eu.
- That's it. Pra morar comigo tem que ser você, ou mais ninguém. [sorri] Assim como para me fazer chorar: não há ninguém melhor que o Caio. Para me deixar histérica: nenhum barra o Léo. Para me deixar em completo êxtase dentro de uma boate: aquele cabeludão maravilhoooooso, lembra? e por aí vai...
- Cada um ideal para uma coisa - e você não abre mão de ninguém!
- Só de você... mas vai ter que ser para uma esposa espetacular, tá me ouvindo?? Tem que ser digna para te dar dois filhotes lindos que formarão a banda com meus outros filhotes (seja lá quantos eles forem) [risos gerais]
- E o Rodrigo?
- Que tem ele?? [diminui o sorriso na hora, tensa]
- Ele está em qual categoria??

Aline pensa, pensa, pensa... Só depois de comprarem as revistas e subirem a rua de volta ela consegue responder:

- A categoria seria a de se apaixonar. Se eu tiver que ser apaixonada por alguém, que seja por ele. Porque é uma coisa muito menos dolorosa do que com o Caio. Porque ele é perfeitinho - exceto pela "profissão", claro. Porque ele gosta de eletrônico e de ver 'Hackers' sem parar. Porque temos o gosto muito parecido (ele só não curte "Cable Guy"!!!), e porque... porque nos toleramos perfeitamente bem.
- Mas não casa... [em tom de pergunta]
- Não...é pra se apaixonar, não pra casar... [vaga]

E, como se tivesse sido acordada de um sonho, Aline tropeça na dura realidade:
- *Não consigo* casar com um jogador de futebol. Está além das minhas forças. [olhando para o chão, perturbada]