As coisas que Aline não fala (1)
[enquanto descruza os braços, desconcertada]
"Você pode ter muito mais que esse abraço. Você pode ter tudo. Tudo o que você quiser. Mesmo que eu não queira. Porque você corre atrás e consegue, sempre. There's nothing I can do about it. Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto vê Daniel abrir os braços em sua direção]
"Você sabe que não vou me opôr à praticamente nenhuma ação sua. Você sabe e você aproveita isso. Você usa tudo a seu favor. Você é de uma perspicácia que eu nunca vi se repetir em outra pessoa. Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto dá os 3 passos necessários para chegar bem próxima de Daniel]
"Porra, eu tô morrendo de medo!! Será que você sabe disso? Será que você tem idéia do temor que eu sinto desde aquele dia? Você tem idéia de como minhas atitudes para com tudo e todos mudaram desde então? Minha coragem, que sempre foi pouca, depois daquilo sumiu de vez. Agora fico tensa quando me tocam, passei a estranhar qualquer aproximação ou afeição vindo das pessoas. De *qualquer* pessoa. Mas aqui estou eu dando 3 passos em sua direção. Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto sente os dedos de Daniel tocando suas costas, e descendo lentamente a puxá-la para o abraço]
"Ai. Putaquilpariu. Nunca senti tamanha vertigem, parece que estou descendo a maior montanha-russa do mundo. Estou em pânico. Vou chorar. Tenho certeza que eu vou chorar. Porra, mas não posso, imagina se dá merda com a sua namorada... Caralho, não acredito que me preocupo com você justamente nesse âmbito. Eu deveria é estar pensando no meu estado psicológico depois que essa rave acabar. Ai. Putaquilpariu, não quero nem ver, vou fechar meus olhos - e com bastante força, pra ver se a 'dor' vai diminuir, se o medo vai se dissipar. Cadê a raiva que eu deveria estar sentindo por você? Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto põe seus braços em volta de Daniel]
"Caralho, que merda. Eu lembro que foi assim que tudo começou. Com um puta abraço. Foi assim que eu te conheci, seu puto, você lembra? Sem nunca termos nos visto antes, pulamos logo um no outro. Porra, um abraço pode destruir qualquer um, sabia?? E agora?? Quem vai catar os meus cacos quando eles se espalharem pelo chão?? Oh God, oh God... tocar em você, assim... depois daquele dia... não vou conseguir, não vou! Péra... eu... eu... eu estou conseguindo. É, estou levando minhas mãos aos seus cabelos....! Não vou nem abrir os olhos, estou assustada demais para isso. Estarei num transe?? Por que me arrisco tanto assim com você sabendo que...? Que ímã é esse que você carrega? Um dia me verei livre da eterna admiração que sinto por você?? Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto sente os braços de Daniel a apertando forte e o rosto encostando em seus ombros]
"Ai, que falta me fez um abraço seu esse tempo todo... Você não devia ter feito isso, now I'm gonna miss it forever!! Eu vou chorar... Não, Aline, engole o choro! Isso, isso... segura as lágrimas. Você não chorou naquele dia, não chorou agora há pouco... não vai chorar durante o abraço né?? Chora depois, escondida, dentro do ônibus. Ou debaixo da coberta, ou com o som do quarto ligado no máximo... mas agora não! Você vai molhar a blusa fashion dele. Ahh, lá vou eu pensar nele de novo! Viu o que você faz comigo, peste ruim?? Bah! Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto corresponde ao abraço de Daniel]
"Não sei o que falar, não sei quando parar, quando me afastar. Com certeza você vai ser o primeiro. Ou não? Ai, melhor eu mesma parar isso, estou morrendo de medo sim, quem eu quero enganar?? Você deve ser a pessoa que mais me amedronta nesse mundo. Acho que só sinto mais medo quando surge uma barata e eu estou sozinha em casa. Ai. Ai que merda. Não vou conseguir evitar que meu corpo reaja soluçando. Merda. Você vai perceber meu desespero? Será que você tem alguma pista do quanto você é importante pra mim? O quanto fui magoada? O quanto me traumatizei? Humm, acho que não. Ninguém conhece traumas além dos seus próprios - mesmo que tenha causado um em alguém, não dá pra ter noção disso, certo? Mas com relação ao meu desespero, eu acho que você sabe sim. Você *sabe* o auê que causou na minha vida. Você *sabe* o que eu passei. (se não, pelo menos imagina...) Agora, o pior de tudo: você sempre soube que eu cedo ou tarde te perdoaria. Ou que pelo menos estaria aqui te dando um abraço hoje. Cretino. Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto ouve Daniel murmurar o seu "apelido-para-o-nick" (criado por ele mesmo) em seu ouvido, seguido de um longo 'minha amigaaaa']
"Você notou os meus soluços. Não consegui controlar. Merda. Lá se vão as lágrimas. Agora fudeu. Caralho. Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto funga e tenta se soltar do abraço]
"Agora me deixa, vai. Please. Estou tão nervosa, tão "à beira de um descontrole"... vamos ver se eu consigo... gnn... ai, você não solta. Aimeudeus. Socorro. Respira, Aline, respira. Não quero entrar em pânico, então vou parar de me mexer. Pronto. Sei lá se eu pioro as coisas....... Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto sente Daniel afagar seus cabelos e ficar cara-a-cara com ela, mas com as mãos ainda em seus ombros]
"Tem uma coisa que eu queria te dizer. Mas essa nossa troca de olhares já (me) entrega rapidinho: EU TE ADORO, SEU PUTO!!! Não consigo sustentar o olhar por muito tempo, você é muito cruel comigo - as always. Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto sente Daniel buscando suas mãos e as beijando]
"Danieeeel, o que foi issoooo?? Você sabe que sou incapaz de lhe querer mal. Mas não abuse, tá? Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."
[enquanto passa a mão no rosto de Daniel]
"Ai, por que meu cérebro funciona tanto e minha boca é tão imóvel?? Vamos, Aline, pense em algo para falar, pelamordedeus!"
- Bom te ver...
- Tem certeza?
[enquanto recebe o olhar e sorriso *perigosíssimos* de Daniel]
"Você é foda. Você é um adorável filho-da-puta."

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