Friendship Bombs
Crica era a amiga de Aline que tinha um raro namorado "gente boa", o Alexandre. Agora, anos depois, Crica é a ex-namorada "mais ou menos" do amigo de Aline, Alexandre. Que mudança...!
Aline NUNCA gosta dos namorados das amigas. Na verdade, ela não gosta de como as amigas ficam ao arranjarem namorados. Elas somem, começam a mudar comportamentos, saem menos, se anulam... aquelas coisas todas, que ficam ainda mais difíceis de serem compreendidas por alguém que se acostumou a namorar à distância. Aline, sabendo dessa amável característica presente em 98% das amigas (2% são solteiras), fica de olho nos namorados engraçadinhos que se aproveitam disso. E, claro, não gosta deles.
Existem três exceções, e elas são:
1. Quando o cara não abusa da instabilidade emocional da amiga (Alexandre);
2. Quando o cara é capaz de MELHORAR a amiga (Rafa);
3. Quando o cara é o Pedro.
Engraçado, Aline quase nunca tem o mesmo problema com as namoradas dos amigos. Talvez porque não conheça a maioria - amigos homens costumam controlar o emocional e não necessitar loucamente de um parzinho a tiracolo. Eles não precisam viver em função da namorada da vez. Como seus amigos continuam os mesmos, Aline tende a gostar delas, claro.
Existem três exceções, e elas são:
1. Quando a garota tenta transformar o amigo num zumbi (namorada do Rod);
2. Quando a garota acha que conhece o namorado melhor que qualquer amigo (Claudinha);
3. Quando a garota é a Crica.
Crica é uma perigosa moça "duas-caras". O que ela faz é pior do que mudar Alexandre: ela se mostra OUTRA, de forma que Alexandre a veja como santa - coisa que Aline *sabe* estar longe da verdade pois conhece Crica de outros carnavais.
Crica, aliás, parece sentir prazer revelando sua "outra face" na presença de Aline e Vivi em conversas no estilo girl-talk modernoso. O que se constata na pobre ex-namorada de Alexandre, contudo, é sua necessidade de parecer avançada, independente - quando é de conhecimento geral que isso é só fachada de auto-afirmação para se sentir inserida em um grupo de mulheres que REALMENTE pensam assim.
Ela demonstra indignação com o que Alexandre fez com ela - mas dias depois lá está Crica dando em cima dele daquele jeitinho meigo! Ou seja: pose de durona na frente das "amigas", e um docinho de menina na frente do ex-namorado. Como Aline se afastou dela (mas não perdeu contato com Vivi - he), agora conhece os dois lados da força. E é simplesmente RIDÍCULO ter que ficar ouvindo do amigo que "a Crica não é assim".
Esta deve ser a milionésima vez que o casal fica nesse termina-mas-não-sabe-se-volta.
E pela bilionésima vez, Aline se encontra no meio do caminho, achando tudo uma babaquice sem fim... O que fazer, afinal?
Alertá-lo sobre o que Crica apronta nas costas dele? Bah, Aline já tentou e ele não escuta.
Alertar Crica? Hahaha, nem pensar! Logo a parte mais engraçada da história? No way!
Aconselhá-lo a desistir dela? E isso adiantaria? Alguém escuta conselhos quando cisma com uma coisa?
Ahh, Aline *detesta* essa situação justamente por ter que fingir ser o que não é: aquela amiguinha apaziguadora, massageadora de egos, que só fala o que o outro quer ouvir, se omitindo em questões cruciais para o amigo não sair tão dolorido, "claro". É detestável ter que agir assim! Argh! Aline é conhecida por não perdoar ninguém - fala MESMO, não quer nem saber se a pessoa está preparada para ouvir. Não está nem aí se vai causar uma gritaria, se rolará stress... quando vê que estão fazendo merda, ela VAI dar esporro, ela VAI discordar.
Fica fácil adivinhar quantos amigos verdadeiros Aline tem né...
Mesmo tendo como conseqüência o afastamento de muita gente, ela nunca deixa de falar a verdade, claro. Seja amigo verdadeiro ou não. Mas existem três exceções, e elas são:
1. Quando a merda pode espirrar pro lado dela (Daniel);
2. Quando a pessoa não merece (Beth);
3. Quando a pessoa faz parte de um casal e o esporro *é* sobre o casal.
Pra quê ser estupidamente sincera numa situação como essa? A tendência é sempre ser acusada de "desleal" ou "invejosa" ou "ciumenta" por estar abrindo a boca onde, "em tese", não é chamada ("Se está em jogo o bem-estar de alguém que eu gosto, tenho que me manifestar", costuma esbravejar discordando).
Pessoas comprometidas têm a estranha tendência de responder críticas com o clássico "estão contra o nosso amor". A situação agrava, podem surgir teorias conspiratórias - e o 'amistoso' parzinho se transformar num imenso pé-no-saco.
Aline se arrepia. Não é a primeira vez que acontece, e não vai ser a última.
Mas amigo que é amigo sabe ficar quieto na hora certa - mesmo que isso signifique assistir de camarote uma pessoa querida se afundando no lodo.

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