E-mail para a melhor amiga
Às duas pessoas mais especiais que eu conheci pela Internet.
Sem uma, eu não sobreviveria à outra.
Simples assim.
Sem uma, eu não sobreviveria à outra.
Simples assim.
Aaahhh!!
Mulé, que sinistro... lembra daquela rave?? Bem que você falou que estava com um pressentimento esquisito. Que coisa!!!! Eu tenho que aprender a te ouvir de vez em quando ;P
Bom, mas enquanto isso não acontece (hehehe >:P), preciso te contar quem eu encontrei lá! Se eu te falar que fiquei HISTERICAMENTE HISTÉRICA você já é capaz de adivinhar né?
Pois bem... foi ele mesmo.
O Daniel.
Menina, você tem noção do TEMPO que isso tem?? 6, 7 anos?? Eu te conheci poucos dias depois dele, no mesmo chat. Faz as contas do tempo que isso tem......
Sabe, foi uma sensação tão estranha,TÃO ESTRANHA... vê-lo depois de tudo que aconteceu... A última vez tinha sido aquele dia, né. Acho que eu só não tremia muito porque estava tentando me esconder atrás da garrafinha d'água que eu segurava...*patética* Mas não é que fui reconhecida??? Caramba, não imaginava que ele fosse sequer lembrar... *suspiro tenso* E ainda disse que eu não tinha mudado nada, acredita??? Fala sério, hahaha!
Mas sabe que ele também, aos meus olhos, não havia mudado nadinha?? Muito estranho...
Difícil descrever o que se passou com o meu corpo ao vê-lo novamente. Minhas pernas não ficaram bambas, elas ficaram DURAS! Presas no chão, como choque. Choque? Humm, não exatamente. "Paralisia" seria a palavra certa.
Eu pensei em me virar, em ir passear, me perder na multidão... mas minhas pernas não deixaram. Eu tava numa mini-sacadinha que dá para o primeiro andar, sabe? Encostada ali tomando um ar, descansando... Tava MUITO CHEIO, e eu estava olhando a vista do andar de baixo. DO NADA, sem motivo algum, dei um viradão com o pescoço e, dentre a quantidade imeeensa de pessoas que passavam por ali, o rosto dele se destacou! Na hora eu fiquei braaaaanca de susto, meus olhos deviam estar arregalados que nem aqueles desenhos japoneses!!!! O incrível é que não deu nem pra disfarçar, pois o eye contact foi NA MESMA HORA! No exato momento que eu dei aquele viradão, ele também deu! E aí, BUM! Ficamos assim, com aquela cara assustadíssima um para o outro! *ai, que ridículo*
Ele foi chegando cada vez mais perto, e eu cada vez mais em pânico. Acredita que ele parou para amarrar o tênis bem na minha frente??? De propósito??? (você conhece o peste, então você acredita!! *rdtr*) Bom, enfim... como se não bastasse isso, a NAMORADA dele foi parar do meu lado, encostada ali na sacada, e olhando o andar de baixo - ou seja, de costas para o que acontecia!!! (Não faça essa sua cara de "ihhh, véio...", hein! >:P)
Sabe o que estava parecendo? Um momento histórico e algum tipo de recorde mundial, porque eu nunca vi alguém demorar tanto para amarrar um tênis - e nunca vi alguém conseguir fazer isso olhando para cima! (ok, eu *ouvi* o seu "ihhh, véio...", pó parando!)
Assim que ele levantou, ficamos finalmente cara-a-cara, mulé! Depois desse tempo todo, depois de tudo aquiloooooo, aaaaahhh!!! *vontade de gritar só de lembrar da cena* ficou um silêncio, menina... muito sinistro, acho que vou gastar vinte milhões de e-mails para você e não vou conseguir nem chegar perto de explicar como foi.
Fiquei tão alegre, mas ao mesmo tempo tão apavorada...
Oh Lord, esse meu medo nunca vai terminar?? Sim, minha amiga. Ainda sinto muito medo. Lembra quando você disse, de piada, que se algum dia eu o encontrasse, me curaria do medo que eu sinto?? Olha, isso não aconteceu, te garanto! Afinal, ele continua o mesmo...(depois te conto!)
Mas calma, não aconteceu nada de ruim, só tive certeza que as coisas daquele dia, bem como suas traumáticas conseqüências, nunca vão sair da minha cabeça. O que é mais sinistro, entretanto, é que MESMO ASSIM eu senti que ele ainda é MUITO especial pra mim.
Você sabe que eu tentei odiá-lo. Você sabe que eu desejei muito que virássemos completos estranhos... e depois desse tempo todo, well, why not?? Eu criei uma barreira entre nós dois, tenho consciência disso. Foi inevitável, automático até. Mas o incrível é que nada disso adiantou. Ele, aqui dentro, continua presente. E, na boa, só alguém que me conhece do jeito que ele conhece para me olhar daquele jeito. Ele ter falado que eu "não mudei nadinha" foi o de menos. O que 'pegou' mesmo foi o olhar. Aquele olhar dele, amiga... não dá para descrever. É invasivo, é intenso, é sorridente, é son-of-a-bitch!!
Senti que, apesar de toda a distância, algo nunca vai se desvencilhar da gente: aquele dia. Provavelmente porque eu não deixo. I don't let go. I won't let go. I can't let go. Não consigo, minha amiga. Tentei esses anos todos mas já vi que não consigo. Eu estive frente a frente com ele e não consegui. É mais forte que eu. Devo carregar isso comigo, e não esquecer. Aprender a conviver com meus medos e traumas até eles se esvaírem (ou serem substituídos por new ones, hehe;) Ele pode não dar nenhuma importância, ter esquecido... mas eu, ali, com aquela cara, e com essa "carga" toda nas costas, fico a lembrá-lo.
Ele até me chamou de AMIGA, acredita!? Até chorei nessa hora...
Mas choro de emoção, sabe, nada a ver com tristeza!
Como eu disse, mesmo com essa "coisa" entre a gente, lááááá no fundo nada mudou. Com o adicional de que seremos eternos cúmplices daquela situação merda, daquele dia.
Cúmplices... taí uma palavra engraçada. Lembra da música?
"Meu amor, meu cúmplice
Meu par na contra-mão
E você não mudou em nada... nada nada não
E eu também não - que bom"
Meu par na contra-mão
E você não mudou em nada... nada nada não
E eu também não - que bom"
Apesar de ser uma canção de amor, acho que nada que aconteça entre namorados supera o que ocorre entre amigos. Cumplicidade entre dois amigos é uma coisa tão bonita... é você olhar para os olhos de quem gosta muito e sorrir de uma forma que só vocês entendem. Eu tive isso com o Daniel na rave e acabei percebendo que nós sempre tivemos essa cumplicidade. Sempre. Desde antes daquele dia. E permanece, minha amiga, permanece até hoje!!!
Fico feliz, sabe por quê? Porque justamente o fato d'eu ter me distanciado *imediatamente* faz agora com que aquele dia não passe de uma cumplicidade entre velhos amigos. Não deixei que minha vida fosse arruinada por aquilo. Consegui tal feito sozinha, sabe-se lá como. Mas achei que fosse ficar por aí.
Nunca imaginaria que, a longo prazo, eu recebesse um prêmio tão bonito por isso. (Depois eu te conto como foi o nosso diálogo completo, no telefone é melhor para falar os detalhes!)
Incrível como eu ainda o admiro.
Daniel é a pessoa mais autêntica que eu já tive o prazer de conhecer.
ADORO esse motherfucker, damn it! :')
Avise quando eu puder te ligar, me grita no ICQ depois das 23hs!
Beijos,
Aline, ainda lembrando da 'descruzada de braços' mais emocionante da sua vida.
I *still* wish we could go back in time.
E continuo odiando sentir sua falta
E continuo odiando sentir sua falta

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