15 anos
- Putz... sem comentários... que absurdo!
- Pois é, Pedro!! Eu não tô acreditando até agora!!
- Cara... eu só não duvido de você porque eu sei do que aquela louca é capaz...
- Fiquei passada, Pedro. Nunca imaginei que isso algum dia fosse acontecer comigo!
- Nossa... mas é aquilo... quem manda ser minha amiga??
[os dois riem]
- É verdade, é verdade!
- Ela cismou que eu terminei tudo por causa de algo que você falou...
- Que coisa insana... pff! Vê se pode!! Tem cabimento eu perder meu precioso tempo armando contra namorada de amigo meu??? tsc!
- Ela tem 15 anos... deve viver fazendo isso. Hahaha...
- Ela é louca demais para 15 anos!!
- Totalmente...tsc tsc tsc... aiaiai Liiine. Me livra dela, vai?
- TÁ DOIDO!? Aí é que ela não vai parar de me perturbar nunca!!
[gargalhadas gerais]
Claro que os dois estavam falando de Claudete, a piroquete. Na verdade seu nome é Claudinha, só Aline que a chama assim. Desde que virou mais uma sócia do clube "Exs-do-Pedro", a menina anda tendo um comportamento, digamos, alterado. Mas desta vez Claudinha havia passado dos limites.
Aline narrava ao amigo o que havia acontecido no dia anterior, logo que ela voltou do tradicional almoço com Pedro:
Estava de volta ao trabalho, arrumando a prateleira de cantores internacionais, quando sente uma mãozinha tocar-lhe o ombro. Vê Claudete, ou melhor, Claudinha.
Meio assustada, cumprimenta:
- O-oii...!
- Aline, né?? Seu nome... [mascando um chiclete]
- Isso... t-tudo bem?
- Hum...[pose meio esnobe, o mais esnobe que se consegue ser vestindo o uniforme de Educação Física do colégio]
- Eeer... quer alguma ajuda?? [sorriso amarelo, meio sem saber o que fazer, e completamente afrontada pela presença ameaçadora de Claudinha]
- Ajuda?? Ahh, eu quero... quero sim. Tem como você... SUMIR DA VIDA DO MEU NAMORADO???
- !?!?!?!?!
Claudinha ria com o espanto de Aline e mascava seu chiclete, satisfeita. Aline estava tão assustada com aquilo que quase derrubou os CDs do Enrique Iglesias no chão. Mas assim que Claudinha deu-lhe as costas para sair, Aline solta:
- H-hãã... desculpe, mas... eu conheço seu namorado?? Porque que eu me lembre, só conheço o ex...
Aline instintivamente se vira de costas para guardar os CDs, estava nervosa, nem sabe como conseguiu falar isso! Não devia ter falado, por que não ficou quieta?? Ficou se repetindo isso, enquanto abaixava, encolhida, para apanhar mais CDs. Aline se pelava de medo de Claudete. Sem contar que a última coisa que queria ali era criar confusão. Mas não conseguiu impedir sua boca de falar aquilo... aiaiaiaiai....
Se ela não estivesse de costas, viria o rosto de Claudinha quase tão vermelho quanto o cabelo.
Claudinha, aos berros, revida, claro:
- ESCUTA AQUI, Ô GAROTA!!! QUEM VOCÊ PENSA QUE É, HEIN??? HEIN??? OLHA PRA CÁ, SE VIRA!!!
Aline vira, calmíssima que ela só (na aparência, claro). E a louca continua:
- ELE É MEU NAMORADO!!!!! APESAR DE VOCÊ ESTAR ARMANDO CONTRA MIM, NÃO ADIANTA!!! NÃO ADIANTA NADA, MINHA FILHA!! PENSA QUE EU NÃO VI COM QUEM A SENHORITA FOI ALMOÇAR??? HUH?? HUH???
- N-nós fazemos isso sempre... [em tom baixíssimo de voz, enquanto observa seu gerente se aproximar] Calma...
Aline vai empurrando Claudinha para fora da loja, enquanto pede desculpas ao chefe e promete voltar em poucos minutos.
Já lá fora, perde "só um pouquinho" da compostura (em se tratando de Aline, isso significa falar "só um pouquinho" mais grosso):
- Olha só, eu não tô afim de perder meu emprego só porque você perdeu o seu namorado. Se é pra criar escândalo, é aqui fora. Não lá dentro, ok?? Mas como você ia dizendo...
- EU NÃO PERDI MEU NAMORADO! VOCÊ QUE TIROU ELE DE MIM!!!![alteradíssima, apontando o dedo]
- Eu??? Eu não tirei nada, a gente sai pra almoçar quase todo dia há 2 anos. Antes de você sequer entrar no segundo grau...
Tal frase enfurece Claudinha, que agora chega a estar roxa de ódio.
- OLHA AQUI---
- Não, olha aqui você. [interrompendo, mas ainda com a voz em tom baixo] Você chega no meu trabalho, do nada, e começa a gritar comigo. Cadê a educação? Eu não te fiz absolutamente nada. [vê o rosto de Claudinha prestes a soltar o berro, mas aponta com o dedo para sua boca, pedindo silêncio] Nada. E o mínimo que você deve fazer é me chamar para "conversar" [aspas reforçadas pela expressão no rosto] aqui fora. Estamos entendidas agora? Toda vez que você quiser estrebuchar sobre o Pedro, me chame *aqui pra fora*, ouviu?? Muito bem. Tendo dito isso... [vê Claudete muda de raiva e olhando para os lados] O que foi? Era só isso? Pr'eu ficar longe dele?
- É!! [num tom raivoso-choroso] Eu vi você almoçando com ele ontem!!!!
- Ontem?? Não viu hoje também não?? [Aline não resistiu]
- Gggggg---
- Olha...[tom cansado] Eu tenho que voltar pra loja... Eu só acho o seguinte. Você tá procurando no lugar errado a razão para o fim de tudo. Senta um dia em casa, quieta, respirando [reforçando o tom de voz] calmamente, e feche os olhos. Aí lembre de tudo que possa ter ocorrido durante o namoro de vocês - pequenas coisinhas, pequenos detalhes - que tenha levado a complicações. Faça uma lista, se quiser... você vai ver que eu *não* estou incluída.[sorriso cínico, porém discreto]
Com lágrimas nos olhos, a maluquinha balbucia:
- Você não me convence...
Claudinha faz um muxôxo inacreditável para quem a vê saracoteando boates adentro. Parece que dentro de 5 segundos vai cair num berreiro daqueles.
Aline, para não ver a cena e não sentir-se culpada depois (ela sempre tem disso!), despede-se logo e entra na loja.
Olha pro gerente, de braços cruzados rindo de tudo aquilo, e murmura sorrindo, sem deboche:
- Ahh, se meus 15 anos tivessem sido assim...
- Você estaria aí para contar a história??
Aline ri do chefe e rapidamente se lembra por que de certa forma admira Claudete:
- Provavelmente não... provavelmente não...

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