17 anos
Aline apaga as luzes e põe algo para tocar, geralmente U2. Ninguém ali com ela, ninguém perto para ajudar. Ninguém. Ela está sozinha. So-zi-nha. Tal situação se repete desde que nasceu. E nunca a incomodou.
A solidão não a amedronta. Aline estranhamente parece ter nascido com este dom, o de saber viver perfeitamente bem sozinha. Quase ninguém consegue ser solitário, mas Aline tira de letra. Prefere seu computador e seus CDs a muita gente que conhece. Um tio distante sempre costumava falar: “Essa daí vive melhor sem pessoas por perto, bicho-do-mato!” Talvez seja aí que resida o problema. Problema para os outros, vale dizer.
Pouquíssimos amigos, pouquíssima confiança em seres humanos. O fato de não ter alguém para conversar sobre uma situação como essa não a assusta muito, sempre optou mesmo por passar maus bocados sozinha – nada de jogar as desgraças nos ombros dos amigos para os seus ficarem mais leves. A decepção só bate feia durante a solidão quando são esses pouquíssimos seres que compartilham da convivência com ela que pisam na bola.
Não é esse o caso hoje; só que agora ela não poderia recorrer a ninguém, mesmo que quisesse – ninguém mais restou.
Ao perceber que está sozinha – sozinha mesmo – Aline fica na dúvida: entristece de vez ou sorri de alívio?
(N.A.: Ahh, como a vida se repete...
entristeço de vez ou sorrio com tamanha ironia?)
entristeço de vez ou sorrio com tamanha ironia?)

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