Line + Pedro (Dois amigos)

Seriam relatos auto-biográficos? Apenas contos? Memórias? Ou roteiro de um filme? São as aventuras de Pedro e Aline, dois grandes amigos cercados de histórias por todos os lados.

Terça-feira, Julho 22, 2003

Fight the Future

Just a fair reminder...


"— Ai, é tão difícil... e se você estiver fazendo a coisa errada?!
— Mas... qual das opções é a errada??"


Ela devia ter terminado com ele. Devia! Devia ter feito isso há muito, muito tempo... agora se vê presa numa teia complexa, onde é impossível achar uma razão concreta para terminar. O que tinha que acontecer, já aconteceu, as inúmeras chances (d)e "barracos" com ele já rolaram, enfim... Os dois já superaram tudo, já se acertaram há tempos, os desentendimentos agora são, no máximo, sobre o filme que vão assistir.

Sabe quando o casal atinge aquele máximo patamar de adequação? Já se conhecem perfeitamente, convivem muito bem, possuem uma rotina própria, planejamentos a longo prazo (por mais bobos que sejam)... querendo ou não, nasce um amor daí. É inevitável.

Daí a questão que martela em sua cabeça: ela o ama porque o namora, ou o namora porque o ama? Não dá para saber muito bem, agora ficou tão misturado... o que ela sentiu quando voltaram desta última vez? Foi conveniência, pena, falta de opção? Foi o amor que sentia antes por ele, e sempre vai sentir? (Mas então como assim ela resistiu a voltar a princípio?) Ou teria sido o amor/afeto/you name it que passou a sentir devido à longa convivência?

De qualquer forma, isso já tem tanto tempo... voltou tá 'voltado'.

Além do mais, ela não tem do que reclamar. Ele é atencioso, alegre, não tolhe (muito) suas liberdades – já brigaram demais, e ainda brigam, mas está dando para levar –, faz sempre as coisas certas para agradá-la, se divertem quando estão juntos-sozinhos ou juntos-com-outros, etc. Tudo perfeito, tudo certinho... o único caminho a seguir é o do altar....

Err...
Será?

Mas ela não pode surtar e largar tudo? Pode, claro! Ela não faz porque não quer?? Ué, então por que sua mente devaneia tanto sobre o assunto, ou às vezes o bloqueia totalmente, fazendo parecer que tudo é muito simples e que "um dia" ela resolve isso?

Ahh, mas na verdade é complicado, tudo em sua vida é "complicado". Não é fácil terminar com alguém, assim, praticamente parte de você, da família - por mais que seja a coisa lógica a se fazer.

O que ela poderia falar para ele?

"A gente não combina"?? — impossível, ele faz de tudo pra ela, por ela... de fato, eles discordam em uma série de coisas, filmes, gostos... o que é normal, né? Se fosse *por isso*, a relação teria terminado láááá no começo. Alegar isso agora vai colar?!

"Não vai dar certo mesmo"?? — difícil, ela perdeu a chance de usar essa anos atrás. Quando as coisas estabilizam, amadurecem e duram muito, muito, é como se o seu destino já fosse traçado. Ela pensar isso depois de anos com o namoradinho que conheceu aos 14 ainda lhe dá respaldo, há muito chão para seguir, havia a inexperiência. Mas e aos 26?

"Estou gostando de outro"?? — Se for verdade mesmo, são duas as ruas sem saída: se é alguém 'do passado', como poderia a relação ter durado o tempo que vem durando? Se é alguém 'de agora', quem garante que não é fogo de palha? Ou pior: trocar um amor duradouro por algo totalmente imprevisível?? Isso seria terrivelmente arrasador para ele, coitado, ela não teria coragem.

"— Ficou louca????"


Ahh, ela ficou. Ficou louca, porque não consegue nem mesmo achar uma saída para o nó em que se meteu. Perdeu as rédeas do livre arbítrio em algum lugar entre a solteirice e a maturidade que bate à porta.

...to myself.