Wicked Game
— Volta pra ela.
— O quê?!
— Volta pra ela. Sério.
— Mas por quê? Eu não quero...
— Quer sim. Isso é só euforia.
— [pasmo]
— Vai passar.
— Da sua parte?
— Não, da sua. Quer dizer, da minha também, né?
— É...?
— É, ué. Eu tenho namorado... a euforia *tem* que passar.
— [sorri] E se não passar?
— Impossível.
— [sorriso]
— Pára.
— Quê?
— Pára de sorrir.
— Por quê?
— Não tá ajudando a passar.
— Eu não quero que passe. Eu quero você.
— Não dá...
— Não dá ou não quer?
— Não dá.
— Hum.
— É complicado. Tá vendo essas caixas? Pois é, tô indo morar com ele... como voltar atrás agora?!
— [mudo]
— É complicado... putz... [olha pra baixo, coça a cabeça] Tinha que ser logo agora? [meio que falando sozinha]
— Bad timing?
— Don’t know...
— Pois eu acho que quem teve bad timing foi ele.
— [ri] É... pode ser... não sei.
[Abraço]
— Não me abraça mais que desconcentra. Você *tem* que voltar com ela.
— Eu não quero voltar com ela, já disse.
— Ela se arrependeu, pediu perdão. Aceita.
— Eu não. Não me importo mais.
— Então. Justamente por causa disso você deve aceitá-la de volta.
— Se você não quer mais ficar comigo é só dispensar. Não precisa me empurrar pra ela de novo.
— Não é isso, pelo contrário! Eu quero MUITO ficar com você. Você não tem idéia. Mas eu olho para as minhas coisas encaixotadas e tenho medo... de chutar tudo pro alto...
— Eu quero você.
— Não dá... já falei.
— Não me empurra de volta pra ela.
[Beijo]
— Eu quero você. [Beijo] Você.
— Bom, eu não posso largar tudo agora. Não me peça isso, por favor.
— Não estou pedindo, eu só sugeri que---
— Pois é, mas já foi o suficiente para me deixar confusa. Eu namoro há mais de duas Copas...!
— Eu também namorava há um tempão.
— E ela te quer de volta. Aceita. Volta com ela. Ela vai poder te dar o que eu não posso agora.
— [pensando] Você insiste demais nisso... por quê? É pra aliviar algum tipo de culpa?
— Culpa?
— É, porque você não está disposta a largar ele... Cara, nós terminamos e não teve nada a ver com você.
— É, mas o fato de você não voltar com ela agora *tem* a ver comigo. Ou não?
[Silêncio]
— Volta pra ela. Até mesmo para testar se é isso mesmo.
— Se é isso mesmo o quê?
— Que você quer.
— Eu não quero ela, eu quero---
— Exatamente! Será? Será que não é só carência? Fui eu que te dei colo num momento crucial. A gente mal se conhece, é Carnaval... Quem disse que não é fogo de palha? Quem disse que você não pode se arrepender mais adiante? Volta agora, que ela pediu perdão e tudo o mais. Aproveita pra ver se é a tua ainda ou não.
— Esse é o argumento mais esdrúxulo que eu já ouvi! [meio rindo]
— Não é não. Eu faria igualzinho. Namoro assim a gente não joga pro alto por qualquer coisinha... e o namoro de vocês era perfeito, os dois feitos um para o outro... [sorri] era tão bonitinho!
— Ahã... de longe, né. Só se for...
— Você não pode negar que ela significa muito pra você, você estava arrasado quando chegou aqui naquele dia. [ca-fu-né]
— É... [olhando o nada]
— Você ainda está apaixonado por ela... eu sei... dá pra ver nos seus olhos...
— Dá...?
— Dá.
— É, mas já não é mais a mesma coisa... [olha no fundo dos olhos dela] Fiquei muito mal, quem me garante que não vou sair mais ferrado ainda?
— Tenta. Volta pra ela. Não custa nada. Pode ser que dê certo.
— Hummm... não sei... não sei se eu quero.
— Eu também não sei se quero morar com ele.
— Sério?
— Pois é. [troca de olhares cúmplices] Mas vou mesmo assim. Pra ver se dá certo.
— Você é estranha. Você arrisca ao contrário. [sorriso]
— É. Eu sei. Você devia fazer o mesmo, é mais seguro – e lógico.
— E a gente?
— Quê que tem?
— Acabou? Fica por isso mesmo?
— [hesitando responder]
— Você não sabe o que dizer... deve ser um bom sinal. [ri]
— É que--- putz, eu--- hã, é porque---
[Ele ri, abraçando-a]
— É Carnaval né? Vai passar... *tem* que passar... Não faz sentido surtarmos assim!!!!
— [pensando] Você tá certa, temos que ser racionais.
[beijo, beijo, beijo]
— Faz o seguinte. Eu volto pra ela, então. Tá bem? Você se muda. E aí a gente continua pra ver no que dá.
— A gente segue se vendo até passar?
— É.
— É uma boa idéia.
— Mas eu vou te confessar uma coisa... [bem baixinho, direto no ouvido] ... eu não quero que passe tão cedo...
— [devolvendo o sussurro, também no ouvido] Nem eu...

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