Querido blog (2)
Putz... hoje no metrô tinha um casal recém-lua-de-mel. Não era um casal meloso nojento, daqueles que você tem certeza absoluta que o cara chifra a mulher na happy hour, ou onde a mulher está claramente com aquele jeito de “na falta de alguém melhor vai esse mesmo...”.
Eles me pareciam genuinamente felizes e deslumbrados; u-ma coi-sa.
Uma coisa que eu não sei o que é há séculos, mas que antes eu sentia freqüentemente. (Com relacionamentos quase nunca passando dos 3 meses, é óbvio que a lua-de-mel é eterna)
Agora olhe pra mim hoje. Nunca pensei que ia dizer isso, mas depois de mais de uma Copa e meia com alguém... argh! Não consigo me imaginar fazendo aquilo com o meu namorado, aqueles beijos apaixonados, aquela felicidade suprema de estar, às 9 da manhã, prestes a saltar na Presidente Vargas e encarar o bafo quente lá fora pra só voltar às seis da tarde. Gente, não dá!!! Não dá, não dá, não dá.
Claro que, na minha época “ingênua” (se é que eu posso chamar de ingenuidade), até acreditava que uma pasmaceira dessas nunca ia acontecer (leia-se Caio). Mas sinceramente... quem garante? Foi só um ano; a convivência foi esparsa – mas ponha fast forward nisso e coloque 5 anos de bagagem e convivência diária - de abrir a geladeira e dar bom-dia às 8 da matina a dormir vendo mesa redonda no domingo às 23hs. DUVIDO que a modorrice não chegasse!
Fato: por mais que você ame alguém, muito tempo de relacionamento enjoa. Enjoa, sim, e não há nada de errado nisso. Você simplesmente não acha nem um pouco extraordinário se abraçar apaixonadamente numa terça-feira calorenta de janeiro dentro de um vagão de metrô quase vazio. (Sim, mesmo se o meu namorado NÃO fosse quem ele é)
Vi aquilo e lamentei profundamente pelos dois: se o namoro prosperar – que irônico! –, ele vai preferir abrir ‘O Globo’ e ler a coluna de economia enquanto ela tenta passar a maquiagem com o trem andando.
Aiai, namoro nunca devia durar mais que seis meses.
Esse meu, então...
Sempre falei pro Pedro que eu não tomava a iniciativa de terminar “do nada” porque não queria ‘adiantar’ o inevitável. E fui levando... (é, eu GOSTO dele, também tem isso)
Sempre acreditei que algum dia alguma coisa ia acontecer e íamos nos separar. Afinal, da primeira vez não demorou muito para eu terminar tudo. Mas agora são 6 (SEIS!) anos esperando e nada... quase nenhum conflito! Ele não briga comigo, nunca brigou, e aparentemente nunca vai brigar! Estou numa cilada e não sei sair dessa. Já declinei alguns pedidos de casamento, mas ele não sai da minha casa. Parei de sair pra ver se a situação me dava algum tipo de raiva dele; não funcionou. Todas as minhas restrições à profissão da criatura parecem ser contornadas diariamente por ele só pra não me estressar. Romântico? Maybe, mas isso me deixa “Stuck in a moment that I can't get out of”.
Veja bem, eu não estou reclamando da vida; eu sei que a culpa é toda minha se ela chegou no ponto que chegou. Não deixei de fazer nada por causa do namoro – mas por causa de mim mesma, louca, abduzida, encurralada talvez pelo longo, longo tempo. Acho que é como o Alexandre tanto falava da faculdade: se você conseguir passar do 3º período, fudeu! Você não sai mais.
E eu quero sair? Taí, acho que não. Não quero casar de jeito nenhum, mas também não quero que o namoro acabe. Não quero ele o tempo inteiro zanzando pela minha casa, mas ao mesmo tempo não tenho mais saco pra fastfood dating. Não quero deixar escova de dente na casa dele, mas o tiozinho da farmácia em frente já parece se divertir com minha compra freqüente (sim, eu compro e depois levo comigo). Não gosto que ele me dê detalhe algum da sua vida profissional, mas adoro ouvi-lo por horas e horas contando os mais espantosos causos dos colegas. Não suporto a vaidade egocêntrica que move os passos dele, mas adoro quando ele sorri e passa a mão no meu rosto falando qualquer coisa com aquele sotaque liiindo.
Gostar demais de alguém desse jeito racional (após furacões arrasarem sua vida emocional, é inevitável ficar mais esperta e passar a usar o cérebro) tem seus efeitos colaterais. Você pensa. Você pesa os prós e contras. Você vê mais claramente – e faz tudo na maior lucidez.
Pode até ser saudável, mas de vez em quando é muito, muito chato.
Aline confessa às...

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