Line + Pedro (Dois amigos)

Seriam relatos auto-biográficos? Apenas contos? Memórias? Ou roteiro de um filme? São as aventuras de Pedro e Aline, dois grandes amigos cercados de histórias por todos os lados.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2003

Tentando voltar com a Crica

Alexandre é determinado. Quando cisma com uma coisa, ferrou! Raciocina milimetricamente todos os seus passos e não dá um ponto sem nó. Pode passar por cima de quem for para conseguir o que quer - e muitos o consideram extremamente egocêntrico e sem escrúpulos por causa disso, mas fazer o quê?
É o Alexandre, eles deviam estar preparados.

O negócio funciona mais ou menos assim:

“Humm.. vejamos...

Andrezinho — pode me dar uma força, um apoio moral... mas pouco pode fazer para me aproximar dela, já que não se conhecem. É “o amigo de fora que vai me levar para a esbórnia sempre que eu fracassar”.

Thaís — idem, mas apoio moral é sempre importante. É “a amiga que pode me apresentar a meninas consoladoras para quando eu estiver carente”. Pode me ajudar também com o Pedro.

Pedro — talvez eu consiga fazê-lo escutar minhas lamentações se nos esbarrarmos pela noite. Pedro é gente fina, chapa de todo mundo. Por que também não seria meu? Não conhece a Crica, o que faz dele automaticamente meu aliado – apesar de Anas e Alines...

Ana — acho que perdi muito quando ela e Crica brigaram. A amizade das duas poderia me ser bastante útil agora. Metade dos meus problemas estariam solucionados, pois ela seria a “amiga da Crica que é minha amiga também e gosta de mim”. A via de comunicação 100% garantida. Mas, infelizmente, agora ela é a “ex-amiga de Crica que também é minha amiga e gosta de mim”. Isso não é lá muito útil, já que nada no mundo a faria manter contato com Crica - nem mesmo eu! Mas de qualquer forma vou tentar. Ela pode neutralizar a Aline se esta for na onda da Vivi.

Aline — um quebra-cabeça. Pode parecer impossível no início, mas com as peças certas, o encaixe é em segundos. Amável de vez em quando, mas esporrenta se eu deixar. Acho que posso contar com ela no meu “time”. É fácil conseguir fazê-la escutar o meu lado da história. É só a Vivi não estar junto, senão fica impossível uma brecha. Tenho certeza de que Aline vai ficar solidária a mim – ela sempre fica. Aline gosta de mim. Posso convencê-la facilmente da minha boa índole – então ela começa a ficar revoltada com o comportamento de Crica e conta tudo para mim espontaneamente.

Vivi — eu não sei, eu... eu tenho o maior pé atrás com ela. Nunca dá pra saber o que ela vai fazer, ou como vai agir. Quando a Crica está junto dela, chego a suar frio! Não que eu tenha medo de algo que ela possa fazer, nada disso!!! Mas é que... bem... talvez eu esteja sendo mal-interpretado por ela e... sei lá, vai ser meio chato se, por causa disso, ocorram mal-entendidos colaterais que me impeçam de voltar com a Crica. Não acho que Vivi seja contra nós dois, mas ela me parece muito... ahn... revoltada demais. Pode acabar tirando conclusões erradas ao me ver por aí... ela não entende essas coisas. Logo, esse convívio pode não fazer muito bem à Crica. Vou tentar passar um papo nela, mas acho que vai ser difícil. Desconfio dela. Não sei porquê, mas tenho a impressão de que ela sabe de muitas coisas que eu não sei – especialmente sobre a Crica. Bom, só de impedir que ela me atrapalhe já saio no lucro.

Eventuais encontros da turma da faculdade — é a maior dificuldade, pois não sou da turma e não posso aparecer lá de bicão sem parecer extremamente patético. Crica vai me avisar mas não chamar, claro, ainda mais se Túlio confirmar presença. Minha única esperança de informação é a dupla Aline-Vivi. Mas como a Aline nunca vai....... fico num mato sem cachorro. Resta torcer para que o Túlio consiga aquela vaga em São Paulo e vá para bem longe.

Colegas de trabalho (redação) — essas são fundamentais, porém há um empecilho. A mulherada do jornal dela é fã da minha banda. Preciso, perante a galera de lá, manter minha aura de rockstar. E não pega bem para um ícone do underground correr atrás da ex-namorada que ele próprio chutou dois anos atrás. Então vou ter que sondar sobre a Crica com aquele desprezo, aquela pose de “estou por cima”. É, vai funcionar. Elas todas me adoram.

Crica — com ela é fácil, sei como funciona o mecanismo. Sem influências nefastas externas, tê-la sob controle é comigo mesmo. Basta enchê-la de flores e mimos e coisas que o outro lá não faz. Enviar e-mail é praticamente obrigatório - de preferência, manter uma correspondência eletrônica diária, que é para acompanhar os horários e a rapidez na resposta. Assim, como quem não quer nada, me aproximo e fico sabendo dos eventuais compromissos que ela possa ter. Eu ganho de qualquer forma: se ela estiver bem com outro, vai fazer questão de me contar – e sabendo da estratégia do inimigo fica facílimo de armar um esquema e ganhar de goleada. Se ela estiver carente, chega até a ser covardia – ela vai fingir que não quer saber de mim, vai me evitar e não me dar qualquer informação, mas aí eu a surpreendo na saída do jornal com um buquê e um convite de jantar romântico. Tá no papo.

Plano de ação — angariar o maior número de pessoas solidárias a mim nesta missão. Apoio moral é fundamental. Avisar muitos homens, em especial. De mulheres, só amigas precisam saber (claro). Como não temos mais amigas *íntimas* em comum, posso ficar tranqüilo que ninguém vai dedurar meu plano - e se isso acontecer, aposto que Crica vai é gostar muito. De qualquer forma, a única que poderia fazer isso é Aline, pois Ana não fala com Crica; e Vivi, provavelmente, não vai querer me ouvir - mas pode saber pela própria Aline. O negócio é agir para cima de Aline, deixando-a sentimental e faladeira, enquanto sondo o terreno; e depois ser rápido para impedir que Crica se encontre com ela ou Vivi depois disso. Nunca se sabe...”


Se deu certo? Bem, aí depende do ponto de vista...